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Edição 83 - Março de 2009
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Estado de Direito e Segurança - Apresentação
Os cidadãos mundiais entre a liberdade e a segurança
Terroristas como pessoas no Direito?
FHC: o intelectual como político
Possibilismo: vida e obra de Albert O. Hirschman
O retorno de Keynes
Em busca do urbano
Religião nômade ou germe do Estado?
As raízes do Brasil no espelho de próspero
Entre Paris e Itaguaí
Todos os privilegiados devem ser premiados
A dissolução em Guignard
A fronteira final
Nas trilhas do lobo
Te convidei pro samba e você não veio
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Estado de Direito e Segurança - Apresentação
Autor: Marta Rodriguez de Assis Machado e José Rodrigo Rodriguez
Resumo: O combate ao terrorismo internacional e ao crime organizado como um todo tem servido de justificativa para a adoção, via legislação, de medidas restritivas de direitos individuais, as quais, para dizer o mínimo, fogem aos padrões do Estado de direito das democracias ocidentais.
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Os cidadãos mundiais entre a liberdade e a segurança
Autor: Klaus Günther
Resumo: O 11 de setembro acelerou o desenvolvimento de uma arquitetura transnacional de segurança que intervém profundamente nas liberdades civis individuais, tanto nos direitos básicos dos cidadãos dos Estados como nos direitos humanos dos cidadãos mundiais. O artigo delineia essa arquitetura, mostra como ela dissolve as categorias jurídicas tradicionais que preservam a liberdade e discute por que hoje se aceita amplamente a prioridade da segurança sobre a liberdade.
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Terroristas como pessoas no Direito?
Autor: Günther Jakobs
Resumo: A punição de terroristas, em larga medida preliminar, ou os severos interrogatórios, não se adequam a um perfeito Estado de direito. Pertencem ao direito de exceção. Um Estado de direito que tudo abarque não poderia travar esta guerra, pois ele deveria tratar seus inimigos como pessoas e, conseqüentemente, não poderia tratá-las como fonte de perigo. Em Estados de direito que operam na prática de modo ótimo procede-se de outra maneira, e isso lhes dá a chance de não se quebrarem durante o ataque a seus inimigos.
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FHC: o intelectual como político
Autor: Celso Lafer
Resumo: Este artigo parte do exame dos múltiplos papéis que nas sociedades contemporâneas os intelectuais desempenham na vida política. Aponta a tendência à imperícia no trato da realidade política por parte dos intelectuais no exercício do poder. Neste contexto, discute-se como e por que FHC é um raro caso de um intelectual bem-sucedido na vida política de um país complexo, de escala continental, com as características do Brasil contemporâneo. Aquilata-se, finalmente, a maneira pela qual FHC conjugou teoria e experiência nos seus juízos políticos perante as especificidades das conjunturas com as quais lidou na presidência e como combinou, na sua liderança, a dimensão da mudança e da pacificação, tendo sempre presente o "quadro mental" e o sentido de direção da sua visão intelectual.
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Possibilismo: vida e obra de Albert O. Hirschman
Autor: Philipp H. Lepenies
Resumo: Este artigo pretende desenredar as complicações da obra de Hirschman e revelar seu modo específico de investigação, tornando visíveis as influências biográficas multifacetadas sobre os textos acadêmicos de Hirschman. Expor a influência que momentos decisivos de sua vida tiveram sobre sua obra permite não só identificar e definir seu método de "possibilismo", mas também mostrar que essa abordagem continua a ser uma ferramenta multidisciplinar válida e útil para a análise social contemporânea não-ortodoxa.
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O retorno de Keynes
Autor: Fernando Cardim de Carvalho
Resumo: A crise econômica atual colocou em questão o desenvolvimento
da teoria macroeconômica das últimas duas ou três décadas. O rápido e profundo desmoronamento dos mercados financeiros depois de 2007 e a recessão iniciada em 2008, cujo final é ainda impossível de se vislumbrar, levaram à crítica da teoria ortodoxa e à redescoberta de argumentos associados a Keynes, que muitos julgavam um autor superado.
Este artigo lista as linhas básicas do pensamento de Keynes que o tornam uma ferramenta muito superior para o entendimento da crise atual do que a ortodoxia das últimas décadas.
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Em busca do urbano
Autor: Pedro Fiori Arantes
Resumo: O presente artigo é um balanço da produção pioneira de intelectuais marxistas que, na década de 1970, procuraram entender os paradoxos do crescimento de São Paulo e, mais amplamente, ensaiaram as primeiras formulações de uma teoria crítica da urbanização na periferia do capitalismo. Agrupados em torno do Cebrap e da FAU-USP, a urgência política do momento, somada à ascendência da interpretação de Manuel Castells, levou-os majoritariamente a encarar a cidade como espaço de consumo coletivo e luta social em torno da reprodução da classe trabalhadora. Mas a descoberta empírica da cidade permitiu que o urbano fosse, ao fim, reconhecido não apenas como lócus mas como forma da expansão capitalista.
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Religião nômade ou germe do Estado?
Autor: Renato Sztutman
Resumo: Este ensaio analisa como uma questão particular - a irrupção de focos de poder político entre os antigos Tupi da costa brasílica - foi tratada de modo entrelaçado por Pierre Clastres e por Hélène Clastres. Ainda que a reflexão da segunda deva muito ao projeto de antropologia política do primeiro, objetiva-se traçar tanto as convergências como os afastamentos entre os autores, de modo a propor novas direções para o debate por eles iniciado. Nesse sentido, pretende-se avaliar os desenvolvimentos mais recentes da etnologia centrada nos povos tupi-guarani, antigos e atuais.
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As raízes do Brasil no espelho de próspero
Autor: Pedro Meira Monteiro
Resumo: O espelho de Próspero é um passo a mais na paixão latinoamericanista que une autores tão diversos como Darío, Martí, Rodó, Mariátegui, Manoel Bonfim, Sérgio Buarque de Holanda ou Gilberto Freyre - toda uma linhagem, enfim, a conceber o espaço fantástico de uma "outra" América, pensada ou sentida no contraste com o grande irmão do Norte. O espelho norte-americano refunda, desde o século
XIX, a geografia shakespeariana que impressionou Sérgio Buarque e que porventura o assombraria enquanto concebia, na aventura do exílio, Raízes do Brasil. Embora esse ensaio clássico não seja explicitamente referido n'O espelho de Próspero, parece razoável supor que o livro de Richard Morse seja uma espécie de reescritura de Raízes do Brasil, capaz de
radicalizar a promessa ibero-americana que brilha, também, no horizonte de Sérgio Buarque de Holanda.
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Entre Paris e Itaguaí
Autor: Michael Wood
Resumo: A novela "O alienista" suscita imagens perfeitamente talhadas do que Roberto Schwarz chama de "idéias fora de lugar". Tendo em mente essa estrutura de pensamento, este artigo revê as observações recentes de Schwarz sobre leituras nacionais e internacionais de Machado, indaga se essas observações podem acomodar uma avaliação mais amistosa do leitor internacional e passa ao romance "Esaú e Jacó" em busca de outros exemplos.
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Todos os privilegiados devem ser premiados
Autor: John H. Summers
Resumo: A maioria dos estudantes que encontrei em Harvard havia já abraçado as perspectivas dos ricos, dos poderosos e dos não alienados, e
parecia tê-lo feito com uma facilidade espantosa. Seguindo a tradição dos ricos norte-americanos, eles trabalhavam por períodos excepcionalmente longos, eram agressivos no exercício de seus talentos e unânimes a respeito das características ideológicas do capitalismo de mercado. Seus trabalhos escritos revelavam os componentes centrais do consenso adotado por seus pais: o significado da liberdade reside na escolha pessoal dos consumidores; a livre concorrência em bens e padrões de comportamento regula o valor; o progresso tecnológico é um bem puro; a guerra é lamentável.
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A dissolução em Guignard
Autor: Fabio Miguez
Resumo: Um artista em formação tem algumas paixões inexplicáveis. Não falo de influências pontuais que o trabalho recebe, de questões contemporâneas ou de sua relação direta com o mundo, como, por exemplo, o fato de minha geração ter sido influenciada pelo neo-expressionismo na década de 1980, mas sim, de paixões anteriores, atávicas, à formação profissional básica que marcam o caráter de cada artista.
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A fronteira final
Autor: Stephen Hawking
Resumo: A raça humana existe como espécie separada há cerca de 2 milhões de anos. A civilização teve seu início cerca de 10 mil anos atrás e a taxa de desenvolvimento tem aumentado regularmente. Mas, para que a humanidade continue existindo por mais 1 milhão de anos, teremos de ousar ir aonde ninguém jamais foi.
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Nas trilhas do lobo
Autor: Luís Fernando Prado Telles
Resumo: A certa altura, a entrevistadora perguntou: "E você,
o que quer contar? Aonde quer chegar?". Lobo Antunes, por sua vez, não se furtou às perguntas, assumindo a via da falsa modéstia, e respondeu, também diretamente: "O que pretendo é transformar a arte do romance, a história é o menos importante, é um veículo de que me sirvo, o importante é transformar essa arte, e há mil maneiras de fazê-lo, mas cada um tem de encontrar a sua"
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Te convidei pro samba e você não veio
Autor: Romulo Fróes
Resumo: A música brasileira ainda vive sob a orientação de seus dois movimentos musicais mais importantes que, durante a década de 1960, determinaram um eixo em sua história: Bossa Nova e Tropicália.
A primeira redefiniu os parâmetros de nossa canção adensando seu imenso legado e apontando a novíssimas direções; a segunda, excedendo a premissa bossanovista, dilacerou seus limites atingindo quase a não-canção. Em suma, e de maneira bastante reduzida, pode-se dizer que a Bossa Nova representaria os artistas
que buscam uma certa sofisticação musical e a Tropicália, aqueles que se identificam com a invenção, ainda que tais características sejam
encontradas em ambos os movimentos.
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