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   84 - Agosto de 2009
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Site - Julho de 2009
Honduras: Protagonista de uma América pouco divulgada, mas que volta a ser central como foco de tensionamento político
Autor: Ana Clara Ferrari
 A crise de Honduras que começou pela deposição do então presidente Manuel Zelaya, passou pela nomeação de um militar desgostoso pela massa popular, atravessou a região com as declarações de não-reconhecimento do novo governo em quase todo o continente - principalmente os EUA -, travou fortes enfrentamentos entre os setores populares contra o exército, a polícia e os que apóiam a deposição, hoje encontra-se num impasse político de nível internacional.

O presidente deposto, Manuel Zelaya, está na fronteira com a Nicarágua esperando e, de certa forma, acreditando na sua volta ao cargo. Os EUA adotaram uma política branda de apoio a Zelaya, com o bloqueio de viagens diplomáticas (porém ainda é possível viajar como turista) hondurenhas, porém não tomaram nenhuma atitude mais coercitiva. O Brasil, como a maioria dos outros países latinos, declarou seu posicionamento contrário ao novo governo, em nome da democracia popular. Ou seja, o novo presidente não foi votado em eleições diretas, portanto não possui legitimidade.

Para aprofundar na compreensão destes acontecimentos que, hoje, são o centro da mídia em termos de disputa política, a Novos Estudos oferece  três artigos que visam, por um lado, ir além da banalização da imprensa sobre o que é (e quem são) a América Central e, do outro, refletir sobre o significado de democracia e sua relação com valores cívicos e disputas econômicas.

Para entender: já se foi cogitado, inclusive por Xiomara de Zelaya, mulher do presidente deposto, um bloqueio econômico pelos EUA a Honduras, nos moldes do Cubano. Apesar dos EUA não se posicionarem a tomar esta atitude, isto demonstra a relação intrínseca da crise de Honduras com outros elementos de caráter político-econômico internacional.

O governo da Nicarágua, por exemplo, enquanto recebe Zelaya na fronteira para tentar resolver o problema do país vizinho, enfrenta forte oposição da Bancada Democrática Nicaraguense (BDN-liberal) que alega displicência de Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em "se meter nos assuntos internos de outro país". O governo interino de Honduras também já expulsou diplomatas aliados de Chávez gerando um maior acirramento  da tensão política para além das fronteiras hondurenhas.

A partir deste quadro, uma compreensão do que significa Honduras para a América Central e qual o papel desta no cenário político mundial é de fundamental importância para uma análise mais centrada e menos superficial do que é a crise política hondurenha.

Os artigos deste dossiê não são focados especificamente em Honduras, porém abordam e aprofundam  temas indispensáveis a quem busca elementos de formação humana e intelectual na compreensão dos acontecimentos cotidianos.

Dossiê Honduras/América Central

Crise na América Central

Autores: Edelberto Torres-Rivas e Richard S. Weinert

Democracia e Valores Cívicos: Uma Relação Necessária?
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Globalização e Democracia
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