Sérgio Buarque de Holanda na Universidade do Distrito Federal, na Universidade di Roma e na Escola Livre de Sociologia e Política
Autor: Rodrigo Ruiz Sanches*
Juntamente com suas atividades
jornalísticas e cargos públicos, Sérgio Buarque de Holanda também exerceu a
função de professor e pesquisador em algumas universidades, como foi o caso da
Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e da Escola Livre de
Sociologia e Política, em São Paulo. É nesse momento que o
crítico literário, o jornalista e o historiador encontram o professor. Essa
função docente será plenamente desenvolvida a partir de 1958, quando Sérgio
Buarque de Holanda ingressa como professor catedrático da cadeira de História
da Civilização Brasileira, na Universidade de São Paulo, cargo que ocupou em
tempo integral durante 13 anos.
É interessante notar como um intelectual
independente acaba, por conta das circunstâncias, ligado a esta vida acadêmica.
Milliet (1987, p.96), amigo de juventude de Sérgio Buarque de Holanda,
sintetiza muito bem a mudança de mentalidade de sua geração: "Não
pensávamos em academias [na década de 20], éramos iconoclastas, não raro pelo
simples prazer da polêmica, e nunca nos houvera passado pela cabeça que acabaríamos
em alguma
Academia".
Depois de militar na crítica literária,
ofício que não lhe agradava por completo, Sérgio Buarque de Holanda dirigiu o
Museu Paulista ao mesmo tempo em que lecionava na Escola Livre de Sociologia e
Política, isto na década de 40 e 50. Em 1956, foi convidado para ser
professor-substituto na Universidade de São Paulo. A oportunidade de ingressar
na USP parece-me ter duas razões: a primeira pessoal, pois os anos deram
maturidade intelectual necessária para esse novo desafio, pois já havia
transitado em diversos ofícios, tendo até uma razoável experiência docente no
Brasil e no exterior. Em segundo lugar, a universidade passava por um momento
de grande expansão e prestígio na época, pois gozava de autonomia e
consolidava-se em seu projeto de formar quadros e produzir conhecimento. Em
suas próprias palavras, Sérgio Buarque de Holanda justifica sua opção pela
academia: "A universidade permite uma liberdade maior, na medida em que a
gente fica no grupo que escolhe. Talvez por isso o ensino tenha sido mais
estimulante. Principalmente no exterior. Por que lá, quando o sujeito vai
estudar o Brasil, é porque já sabe alguma coisa. Aqui muitas vezes é apenas
porque precisa do diploma". (HOLANDA, 2004,
p.12).
O seu contato com a
universidade vem desde os anos 20. Formado em Direito pela Universidade do
Distrito Federal, Sérgio Buarque de Holanda torna-se professor dessa
instituição em 1935, até sua extinção em 1939. Na Alemanha, assistiu às aulas
como aluno ouvinte na Universidade de Berlim.
Sua
primeira experiência relevante no exterior foi de 17 de junho de 1929 a 13 de
janeiro de 1931, na função de correspondente de Assis Chateaubriand. Sérgio
Buarque de Holanda embarcou para Alemanha, pelo Cap. Arcona, pretendendo chegar
à Polônia e à União Soviética. Em Berlim, a embaixada o indicou para trabalhar
na revista Duco, redigida em alemão e
português, e especializada nas relações teuto-brasileiras. Passou a colaborar
na revista Brasiliannische Rundschau.
Traduziu filmes da UFA, entre os quais O anjo
azul, estrelado por Marlene Dietrich. A prática do jornalismo, no
entanto, o impediu de desenvolver estudos mais elaborados. Essa experiência,
diz Eulálio (1993, p.22), "lhe proporcionou um mergulho definitivo,
definidor, no campo da Antropologia, da Teoria e da Filosofia da História, da
Sociologia e dos Estudos Sociais, e amadureceram nele o Sérgio Buarque de
Holanda 'homem essencial' da cultura brasileira".
Na Alemanha, conheceu Thomas Mann (que lhe concedeu
uma entrevista), Willy Muzemberg, Chattopandiaya, Henri Guilbeaux, Theodor
Daubler. Sem regularidade, assistiu às aulas de história e ciências sociais na
Universidade de Berlim, cujo professor era Friedrich Meinnecke. Leu Max Weber,
o crítico Gundolf, Kafka, Rilke, Hoffmanstahl, Stefan
George.
Sérgio Buarque de
Holanda viu a ascensão do nazismo e a crise após 1929, que levou à proibição da
revista Duco e à diminuição da produção
da UFA. Isso levou Sérgio Buarque de Holanda a regressar para o Brasil, sem ter
chegado à União Soviética, talvez seu maior interesse.
Durante sua estada na Alemanha, remeteu para o
Brasil uma série de artigos[1]
descrevendo e analisando os principais fatos ocorridos nas terras alemãs, bem
como em toda a Europa. A volta da Europa levou Sérgio Buarque de Holanda mais
uma vez às atividades jornalísticas, só que agora mais amadurecido e confiante.
Aqui, pretendeu por em prática sua Teoria da
América, um caderno de notas de 400 páginas, que escreveu durante sua
estada no estrangeiro. Esse estudo é considerado a gênese do clássico livro
Raízes do Brasil, que foi rascunhando em
parte na Alemanha e publicado na revista Espelho, em 1935, sob o título de Corpo e alma do Brasil[2].
Nele estavam contidos pelo menos dois dos capítulos de Raízes do Brasil, "dele extraído quase
intactos, apesar das páginas desordenadas". (WITTER,
1987).
Ao longo da vida,
sempre manteve contato com as universidades estrangeiras, seja ministrando
aulas, cursos ou palestras, seja como pesquisador: "Só quando você está
longe é que consegue ver seu próprio país como um todo", dizia Sérgio
Buarque de Holanda, numa entrevista concedida a David Graham (1987, p.104). Em
outro momento, Sérgio Buarque de Holanda retomou essa
observação:
Quando
estamos num país estrangeiro vemos nosso próprio país com mais interesse,
reparamos na diferença, no choque. Certa vez o historiador americano Lewis
Hanke me disse para escrever um livro sobre um país não bastaria ter vivido
nele por três meses: 'Três meses ou mais de dez anos', ele dizia. Seriam dois
livros diferentes, claro. Mas a idéia é que nesses três meses temos o primeiro
choque. Depois o contraste vai se perdendo. Digo isso para mostrar como, do
estrangeiro, vemos o Brasil de outra maneira. Na Alemanha procurei ver outras
coisas do Brasil, confrontar com o que existe lá fora". (HOLANDA, 2004,
p.7-8).
Destacaremos, também, os diversos
eventos de que Sérgio Buarque de Holanda participou ao longo de sua carreira
acadêmica. Podemos perceber que o contato com as universidades, bibliotecas e
arquivos estrangeiros contribuíram para sedimentar a já sólida formação de
nosso historiador. As "missões estrangeiras" permitiram uma visão
muito mais completa de nossa realidade, e o contato com as pesquisas, com os
pesquisadores e com as idéias que circulavam pelo mundo, foi filtrado e serviu
para repensar a história brasileira e remexer o pó que pairava sobre algumas
teses e fatos históricos.
Outro ponto a que daremos destaque, são
os diversos eventos dos quais Sérgio Buarque de Holanda participou. Procuramos
descrever, detalhadamente, todos esses eventos, inserindo-os no contexto
histórico. Acreditamos, com isso, que a recepção do historiador no exterior foi
um momento de grande importância para o seu reconhecimento no seu próprio país.
Do mesmo modo, a tradução de algumas de suas obras, bem como as dificuldades
decorrentes dessas traduções, foi discutida por Santos (1992) num texto
comparativo entre Tzvetan Todorov e Sérgio Buarque de Holanda. Visão do Paraíso, por exemplo, embora
fundamental, é um livro pouco lido e discutido no Brasil. No exterior, nunca
foi traduzido para o espanhol ou para o italiano, de modo diverso de Raízes do Brasil, traduzido para diversas
línguas, inclusive japonês. As razões para esse insucesso, segundo Santos, são:
o desinteresse de Sérgio Buarque de Holanda em montar e aceitar esquemas
promocionais para construir uma imagem internacional; o "ensaísmo" de
Sérgio Buarque de Holanda oferece a dificuldade, para a tradução, do estilo
demasiadamente denso e pesado, e o tratamento técnico de seus trabalhos aparece
não no exame de temas nacionais, mas na questão mais circunscrita do tema da
fronteira, como é o caso de Monções.
Todorov, como revela Santos, leu e citou Sérgio Buarque de Holanda em seu texto
La conquête de l'Amérique, mas não o
utiliza como interlocutor, relegando-o a algumas notas esparsas e citações sem
discussão, embora haja uma aproximação dos temas entre os dois autores.
Outra causa apontada por Santos (1992) para a pouca recepção
no exterior das obras de Sérgio Buarque de Holanda, bem como de outros
escritores, é o fato de estarmos na periferia do sistema e, portanto, sermos
intelectuais da periferia. Sérgio Buarque de Holanda foi, e é, vítima desse
desencontro, que caracteriza a recepção internacional a intelectuais de
periferia, seja à produção teórica e histórico-cultural, seja à crítica de
idéias, às obras de cunho interpretativo da ciência social e das humanidades.
Mariza Peirano, citada por Santos (1992), observou que a língua portuguesa não
corresponde ao único empecilho para o reconhecimento de trabalhos nos países
periféricos. A Índia, por exemplo, compartilha da mesma língua de sua
ex-metrópole inglesa e tem seus trabalhos pouco difundidos no velho continente.
A razão, portanto, é política, e não meramente
lingüística:
É possível extrair duas lições da atitude
ética, política e intelectual de Sérgio Buarque, à luz das considerações de
Antonio Candido. Primeiramente, o intelectual da periferia está destinado ao
incômodo papel de buscar acesso no mundo acadêmico estrangeiro através dos
'interstícios' do compacto sistema de atribuição de prestígio e hierarquização
de papéis. Ao assumir os papéis, duramente conquistados, terá de ampliar e
consolidar as brechas daquele sistema. Em segundo lugar, não caberá adesismos
nessa procura de diálogo internacional, isto é, não é legítima a remoção de
obstáculos 'a qualquer custo'. Há limites de natureza ética e política para os
esforços de participação. (SANTOS, 1992,
p.163).
*****
A seguir, veremos a atuação de Sérgio
Buarque de Holanda na universidade. Destacaremos quatro momentos importantes
dessa fase: a Universidade do Distrito Federal, a Universidad di Roma, a Escola
Livre de Sociologia e Política.
Universidade do Distrito
Federal
Nascido
em São
Paulo, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1921, onde se
matriculou na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, que ficava na Rua
do Catete, onde se forma em 1925.
O primeiro contato
trabalhista como professor foi com a mesma Universidade do Distrito Federal, no
Rio de Janeiro. A UDF foi criada em abril de 1935 pelo prefeito Pedro Ernesto e
pelo secretário da educação Anísio Teixeira. A universidade compreendia cinco
escolas - Ciências, Educação, Economia, Direito e Filosofia, e Instituto de
Artes. A jovem universidade mal se consolidava e já conhecia dificuldades.
Pedro Ernesto e Anísio Teixeira eram vistos como suspeitos do radicalismo de
esquerda pela Aliança Nacional Libertadora. Isso, aliado ao ciúme natural de
outras unidades de ensino superior existente no Rio de Janeiro, levou ao
afastamento de Anísio Teixeira. A universidade sobrevive até 1939, tendo como
novo reitor Afonso Pena Júnior. O Diretor de Filosofia e Letras é Prudente de
Morais, neto, amigo de infância de Sérgio. Neste ano de 1936, pontificou na
universidade gente renomada, como os professores franceses Émile Bréhier
(Filosofia), Eugene Albertini, Henri Hauser e Henri Tronchon (História), Gaston
Leduc (Lingüística), Pierre Deffontaines (Geografia) e Robert Garric
(Literatura). A proposta de trazer essa "missão estrangeira" foi
interessantíssima, pois pôde dar novos rumos aos estudos dessas áreas em solo
brasileiro. A experiência dessas "missões estrangeiras" foi
aproveitada também pela recém-criada Universidade de São Paulo, em
1934.
Sérgio Buarque de
Holanda foi convidado, em 13 de maio de 1936, pela UDF, para o cargo de
Professor-Assistente dos professores Henri Hauser e Henri Tronchon, nas
cadeiras de História Moderna e Econômica. O contrato, por 12 horas semanais de
serviço, era de um ano, terminando em 30 de abril de 1937. No entanto, em 1937,
tornou-se Professor Adjunto de História Moderna e Econômica e de Civilização
Luso-Brasileira, cargo que ocupou até 1939. Os professores franceses foram
trazidos para o Brasil por Anísio Teixeira, primeiro reitor daquela
"efêmera" universidade. Sérgio lecionou, posteriormente, as cadeiras
de Cultura Luso-Brasileira e de História da América. Em 1938, foi nomeado
Professor-Adjunto da Segunda seção didática, cargo que ocupou por apenas um
ano.
Os livros Monções e Caminhos
e Fronteiras "foram concebidos e executados em fase posterior ao
seu magistério na Universidade do Distrito Federal, onde se iniciara sob a
orientação de Henri Hauser nas técnicas de pesquisa sistemática, transpondo
para a investigação documentária o gosto que sempre teve pela erudição".
(EULÁLIO, 1993, p.25). De fato, a passagem pela Universidade do Distrito
Federal foi de fundamental importância para a formação do jovem historiador. O
contato com os professores franceses, aliado à experiência docente baseada num
projeto que primava pela liberdade, despertou em Sérgio o gosto pelas pesquisas
históricas, ainda muito superficiais no Brasil[3].
No
entanto, as dificuldades de manutenção de um projeto pedagógico inovador e
autônomo contrariavam os interesses centralizadores e autoritários do Estado
Novo. Em 1939,
a Universidade do Distrito Federal foi incorporada
à Universidade do Brasil, nome da Universidade do Rio de Janeiro desde 1937.
Terminara, assim, uma das mais notáveis tentativas de ensino superior ligado à
pesquisa, de largos horizontes. (IGLESIAS,
1992).
A UDF deu-lhe visibilidade e reconhecimento. Após
essa breve passagem por esta universidade, Sérgio foi convidado inúmeras vezes
a viajar para o exterior a fim de proferir palestras ou ministrar algum curso.
Foi assim em 1941, quando viajou durante três meses para os Estados Unidos
(Nova York, Chicago e Washington), onde estivera alguns meses a convite da
Divisão de Cultura do Departamento de Estado.
Nos
Estados Unidos, foi professor convidado no cerimonial de formatura dos alunos
da Universidade de Colúmbia. Proferiu conferências sobre História do Brasil
para os alunos do curso intensivo de português e espanhol na Universidade de
Wyoming (Laramie). Na Universidade de Chicago, participou de uma mesa-redonda
sobre relações políticas e econômicas latino-americanas, sob os auspícios da
Norman Hait Foundation on Internacional
Relations. Ao que parece, Holanda foi surpreendido por um tema que
ele não sabia ao certo, tendo que, às pressas, levantar, por meio do Consulado
Brasileiro, dados sobre a produção de borracha, fato que "encheu os
ouvidos da platéia" e o eximiu de responder a perguntas sobre o
assunto.Sérgio Buarque
de Holanda relata que o principal resultado dessa viagem aos Estados Unidos foi
trazer de volta ao Brasil trabalhos de ciências sociais, especialmente da
"Escola de Chicago", e obras sobre a chamada Nova Crítica. Ele dizia,
em tom sarcástico, que queria "surpreender os amigos com o que
sabia", não sobrecarregando nomes e citações de autores pouco conhecidos
aqui, "para fortalecer os inseguros e os impressionáveis". (GRAHAM,
1987, p.109). Lá, realizou, ainda, pesquisas relacionadas a problemas de
História, sobretudo da América e do Brasil, especialmente na Biblioteca do
Congresso e também na Public Library da cidade de Nova York.
Extinta a
Universidade do Distrito Federal, Sérgio Buarque de Holanda passou a trabalhar
no Instituto do Livro. Em 1944, passou do Instituto do Livro para a Biblioteca
Nacional, dirigindo a Divisão de Consultas. Em 1946, retornou a São Paulo para
dirigir o Museu Paulista.
Universidad di
Roma
Ocupou, dentre 1° janeiro de 1953 e 31 de dezembro
de 1954,
a então criada cadeira de Estudos Brasileiros
(Studi Brasiliani), na Universidade di
Roma. Em fins de 1954, foi escolhido pela Congregação dessa universidade para
reger também a cadeira de História da Literatura Brasileira, criada em caráter
efetivo. Embora fixado em Roma, na Via San Marino, n.º 12, viaja por quase toda
a Itália e pela França. Nesse período, exerceu diversas atividades, entre as
quais: aulas regulares em língua portuguesa para os alunos de português do
Instituto de Cultura Ítalo-Brasileiro; curso e conferências paralelamente às
aulas regulares, sob o título "Introduzione Allo Studio della Cultura
Brasiliana", pronunciados todas as semanas, de março a junho de
1953;colaborou também no
Instituto de Studi Brasiliani.
Representou a
Embaixada do Brasil como membro do Conselho de Administração da Fundação
Amerigo Rotellini, cujo objetivo era fornecer bolsas de estudos a brasileiros
que pretendessem especializar-se na Itália. Tomou parte em comissões julgadoras
encarregadas de conceder o Prêmio Pasquale Petraconi, estabelecido pelo
Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, aos melhores trabalhos relativos à
contribuição italiana para o desenvolvimento do Brasil.
Fundou o Instituto de
Estudos Brasileiros, que funciona em um velho castelo romano - o Antiche
Mattei. Esse instituto teve uma atividade intensa, através de cursos de
português, conferências sobre assuntos brasileiros, concertos, exposições,
palestras, etc.[4].
Sérgio também se engajou na publicação de cerca de 50 obras pertencentes à
literatura brasileira, tais como: "Memórias de um Sargento de
Milícias", "Dom Casmurro", "Angústia",
etc.
Em Veneza, participou do Congresso da "Société
Europenne du Culture". Em fevereiro de 1954, proferiu palestra no
Campidoglio sobre a cidade de São Paulo, em cerimônia realizada em comemoração
ao IV Centenário de sua fundação. Essa palestra foi publicada, posteriormente,
na "L'Ilustrazione Nazionale". No Lyceum Romano, proferiu conferência
a respeito de "L'Italia nello sviluppo e nella vita del Brasile".
Na Suíça, participa do "Rencontre
Internacionale de Genève", e profere uma conferência, seguida de debate,
focalizando "Le Brésil dans la Vie
Americaine", dentro do tema "L'Europe et le
Nouveau Monde", a 3 de setembro de 1954. Posteriormente, sua conferência
"Le Brésil dans la Vie Américaine"[5],
é publicado em Neufchatel, no volume "IX Rencontre Internacionale de
Genève"[6].
Nestes dias, Sérgio Buarque de Holanda deu duas entrevistas a jornais
franceses. No "La
Suisse", do dia 07 de setembro de 1954,falou sobre "Le premier
entretien prive - IX Rencontres Internacionales", comentando sobre o
positivismo e sua manifestação no Brasil, as influências e as diferenças
político-filosóficas entre os Estados Unidos e a América Latina. No
"La Tribune
de Geneve", do mesmo dia, Holanda concedeu uma entrevista intitulada
"Le second entretien prive".[7]
Foi eleito membro do comitê do Internacional Council of Museum (ICOM) e, como
tal, participou, em 1954, de uma reunião no Louvre, em Paris.
Aproveitando sua estada na Itália, pesquisou no arquivo do
Vaticano, na Biblioteca Nacional e no "Archivio di Stato", em Florença:
"Instigado por um compromisso com José Olympio, Holanda aproveitara sua
estada como professor na Universidade de Roma para pesquisar o acervo da
Arcádia Romana - vindo a demonstrar sua superior influência sobre o Arcadismo
mineiro - e ler exaustivamente, como se verifica pela bibliografia, os árcades
italianos e os seus estudiosos". (GALVÃO, 2001, p.474).
Um desses artigos, até então inédito, foi publicado
recentemente em edição bilíngüe em razão dos cem anos de nascimento do
historiador. Intitulado "A contribuição italiana para a formação do
Brasil" (Apporto italiano nella formazione del
Brasile)[8],
esse pequeno livrinho é fruto de uma palestra de Aniello Ângelo
Avella, dada na Universidade de Santa Catarina. Avella (2002, p.23), que
prefaciou o livro, explica que tal artigo foi "uma espécie de carinhosa
despedida da Cidade Eterna, que acolhera Sérgio Buarque com calor e respeito, e
de uma síntese das pesquisas em bibliotecas e arquivos italianos dos quais
havia extraído excepcional bibliografia da qual surgiram Visão do Paraíso (1959), numerosíssimos ensaios
publicados, em parte, em jornais e revistas nos ensaios imediatamente
sucessivos"[9].
Visões do Paraíso,
como é sabido, foi a tese de cátedra de Sérgio, apresentada junto à USP. Capítulos da Literatura Colonial ficou guardado
na gaveta e só depois de sua morte encontrado e entregue a Antonio Candido para
revisão e publicação. Embora inacabada, tal obra apresenta um profundo estudo
sobre o panorama literário brasileiro na época colonial. Segundo Candido,
"uma obra inacabada, referente na maioria absoluta à épica e ao Arcadismo,
em redação praticamente definitiva". (HOLANDA, 1991, p.22).
Avella destaca o profundo conhecimento do
historiador brasileiro sobre os autores italianos, tanto clássicos quanto modernos.
Esse artigo apareceu primeiramente na revista Ausonia (v.9,
n.5, p.9-20, set./out. 1954)[10].
Já em suas primeiras linhas, vê-se uma apologia à grandiosidade do Brasil
(maior país das Américas; maior rio do mundo, o Amazonas; população que cresce
mais do que em outros lugares; a baía mais bonita e imponente do mundo, a
Guanabara). São lugares-comuns que parece servirem mesmo de apresentação do
Brasil aos estrangeiros. É de se estranhar, dado que Sérgio não é afeito a tais
ufanidades, ou que ele tenha-se prestado a tal falta de originalidade.
Estranhamento confirmado ao ler o fim desse parágrafo: "Se toquei, no
início, nessas teclas, foi para render, eu também - americano e brasileiro -,
minha homenagem a esse mal de origem e dele me liberar, sabendo que existem
outros problemas mais dignos de exame". (HOLANDA, 2002, p.47). A partir
daí, seguiu a discussão dos principais problemas brasileiros oriundos da
implantação da colonização portuguesa: "Problemas ligados à introdução, no
Brasil, de costumes, idéias, normas de vida e instituições [...]".
(HOLANDA, 2002, p.47). Sérgio destacou também a explicação para a singularidade
brasileira, país embora colonizado por um dos povos ibéricos, apresenta mais semelhança
aos povos europeus do que aos irmãos do sul. Sérgio então explicou as
diferenças da colonização portuguesa e da colonização de outros povos europeus,
destaque dado aos italianos (navegadores e mercadores como genoveses,
venezianos, entre outros). Ainda em tom didático, Sérgio Buarque de Holanda
caminhou pela superficialidade que apresenta a visão portuguesa dos índios
(mediante análise da carta de Caminha) que os apresenta como "seres
dóceis, simples e belos", mas que deveriam ser "salvos".
A
contribuição italiana na formação do Brasil inicia-se no campo econômico, por
meio de alguns italianos que administraram negócios em São Paulo e
Pernambuco. Em todo o texto, pululam citações de fontes que fundamentam seu
argumento e dão realismo e vivacidade aos fatos históricos. Tais fontes são
cartas datadas dos séculos XVI e XVII e documentos, alguns ainda inéditos,
pesquisados nos arquivos italianos. A simpatia pela língua italiana no Brasil,
por exemplo, é explicada como uma reação ao espanholismo, rivalidade iniciada
após a separação de Portugal do reino de Castela. A língua italiana está
presente nos ambientes mais cultos da Colônia, dando prestígio àqueles que a
sabem usar, como foi o caso de alguns poetas e escritores: "Graças ao
contato com os italianos, os portugueses imaginavam poder alcançar, no campo
literário, a mesma independência que, nos confrontos com a Espanha, já haviam
conquistado no campo político desde 1640". (HOLANDA,
2002, p.97).
A segunda metade do século XVIII é marcada pela
educação dada aos literatos brasileiros "quase todos educados sob a
influência de uma instituição importada da Itália, as academias italianas, e
ainda de outra criação italiana, a Arcádia, um sentimento de maturidade que não
tardará a passar das letras à política". (HOLANDA, 2002, p.105). A Arcádia
influenciará diretamente nos destinos do Brasil, pois algumas das figuras mais
importantes desse período tinham uma ligação com essa instituição, como foi o
caso da Inconfidência Mineira, que tinha poetas árcades e o Patriarca da
Independência, José Bonifácio de Andrada, cientista e poeta, que na Arcádia se
chamava Américo Elísio.
Ao revelar a influência italiana na história e na
pré-história brasileira, Sérgio finalizou seu artigo, em tom conciliador:
E estou convencido de que no fundo, e na
origem de um influxo tão persistente, deve existir não uma escolha aleatória,
mas uma afinidade essencial e inelutável. É essa, acredito, além de muitas
outras, uma razão poderosa para que se estimule o conhecimento recíproco entre
dois povos, duas culturas tão distantes entre si no espaço, mas tão próximas
nas suas raízes comuns e seculares. (HOLANDA, 2002, p.109).
Sérgio Buarque de
Holanda tratou da influência italiana até o século XVIII, deixando de lado a
importância da imigração italiana que se inicia em fins do século XIX e início
do XX, que marcou a cultura brasileira, principalmente a cultura paulista e
sulista. As razões para isso podem estar na grandiosidade do tema e até na
farta bibliografia, o que inviabilizaria os limites de um artigo. Parece-me que
a intenção do historiador tenha sido mesmo escarafunchar fatos até então
desconhecidos do grande público, tanto brasileiro quanto italiano, e traçar um
panorama bem amplo e superficial da história brasileira, mesmo porque são esses
os objetivos de um artigo, limitado a poucas páginas.
Carlos
Alves de Souza, embaixador brasileiro na Itália, reitera, em uma carta, a
importância da estada de Sérgio Buarque de Holanda neste país, que abriu portas
para que o Brasil passasse a figurar como um tema de pesquisa no velho
continente, e lamenta o término desse vínculo, deixando claro que o
"substituto" do professor Sérgio deveria ter a mesma envergadura
intelectual: "Desde sua chegada, o professor Buarque de Holanda entrou em
contacto estreito e quotidiano com os meios universitários e culturais
italianos e onde soube impor-se à estima e à admiração de seus colegas
italianos".[11]
A estada na Itália permitiu ao historiador Sérgio
Buarque de Holanda o contato mais íntimo com alguns dos principais arquivos e
bibliotecas da Europa. Assíduo freqüentador desses ambientes, pôde, devido à
sua grande curiosidade e paciência, resgatar muitos documentos inéditos que
iriam compor o arcabouço teórico de algumas de suas obras e diversos artigos
que frutificaram durante esse período.
Escola Livre
de Sociologia e Política (ELSP)
A ELSP foi fundada em
27 de maio de 1933[12],
e permaneceu como uma instituição de ensino e pesquisa, complementar da
Universidade de São Paulo. Tinha como objetivo formar a "elite instruída
sob métodos científicos apta a estabelecer as ligações do homem com o meio
social", concebida como uma elite administrativa e empresarial. (CARDOSO,
1982, p.157).
No Manifesto de Fundação
da ELSP[13],
lê-se uma crítica direcionada à falta de uma "elite numerosa e organizada,
instruída sob métodos científicos, a par das instituições e conquistas do mundo
civilizado, capaz de compreender, antes de agir, o meio social que
vivemos". O povo, diz o manifesto, "sente-se mais ou menos às tontas
e vacilante", mas falta-lhe a "mola central de uma elite harmoniosa,
que lhe inspire confiança, que lhe ensine passos firmes e seguros". E por
fim, explica tal manifesto:
Falta em nosso aparelhamento de estudos superiores, além de
organizações universitárias sólidas, um centro de cultura político-social apto
a inspirar interesses pelo bem coletivo, a estabelecer ligação do homem com o
meio, a incentivar pesquisas sobre as condições de existência e os problemas,
vitais de nossas populações, a formar personalidades capazes de colaborar
eficaz e conscientemente na direção da vida social.
(p.151).
A ELSP vem preencher
essa lacuna evidente.
Assinaram esse
manifesto cerca de 100 pessoas, entre diretores das diversas faculdades de São
Paulo, jornalistas e intelectuais. Nesse período, segundo o Anuário da ELSP
(1947, p.5),
os
fundadores, elementos da escola intelectual paulista, impressionados com o
malogro de todas as tentativas de reorganização da vida econômica e política do
País, perceberam que os insucessos resultavam do desequilíbrio entre o ritmo
acelerado do nosso progresso material, gerador de múltiplos e complexos
problemas, e o nosso incompleto aparelhamento de ensino ao qual faltava uma
escola que disseminasse os conhecimentos indispensáveis aos elementos que
pretendesse cooperar com os órgãos da administração pública no estudo e solução
dos problemas nacionais.
A ELSP foi organizada
nos moldes dos institutos congêneres europeus e americanos. Segundo o Anuário,
de 1947,
a ELSP é destinada
a:
I - Proporcionar conhecimentos objetivos sobre a origem, funções
e necessidades do meio social;
II - Formar, assim, um grupo numeroso de indivíduos
que pudesse não só colaborar eficaz e conscientemente na solução dos problemas
da administração pública e particular, como também, eventualmente, orientar o
povo e a nação no reajustamento indispensável ao moderno equilíbrio
social.
Para alcançar tal
escopo, a Escola organizou:
a) Cursos letivos sistematizados; b)
Conferências em séries ou avulsas sobre assuntos da atualidade; c) Aulas
práticas nas disciplinas ensinadas; d) Publicações impressas para a divulgação
dos trabalhos científicos realizados por seus professores e alunos; e) Uma
Biblioteca e Arquivo especializados sobre ciências sociais e conexas;
f)Um movimento
permanente de intercâmbio cultural com organizações análogas e estrangeiras, e
g) Bolsas de estudos e estágios de especialização para os alunos mais
esforçados.
Em 1947, Sérgio
Buarque de Holanda iniciou suas atividades junto à ELSP, onde permaneceu até
1957. Foi responsável pela Cadeira de História Econômica do Brasil, lecionada
anteriormente por Roberto Simonsen, e, em 1955, também pela Cadeira de História
Social e Política.
No período em que
lecionava na ELSP, Sérgio Buarque de Holanda ausentou-se várias vezes para
realizar viagens ao exterior. Em novembro de 1949, afastou-se da ELSP para
participar, sucessivamente, de três Comitês da UNESCO em Paris, relacionados
com matérias de sua especialidade, e pronunciou, entre abril e maio, uma série
de conferências na École Practique de Hautes Études, da Sorbonne. Prestou
colaboração ao Musée de l'Homme de Paris, a convite de seu diretor, Paul Rivet,
na organização do material referente ao Brasil. Participou, em maio desse mesmo
ano, de um comitê - composto por representantes de oito países -, organizado
pela Unesco, com o fito de discutir o conceito de democracia. Em novembro,
retornou à Europa, a convite da Unesco, para participar de dois outros comitês,
em Paris.
Um, para estudar os contatos entre as civilizações e
culturas e, outro, para discutir a possibilidade de tradução de obras
representativas de diferentes localidades. O resultado do trabalho consta no
volume impresso pela Unesco sob o título "Interrelations of Cultures.
Their Contribuition to Internacional Understanding, e uma edição francesa intitulada
"L"Originalité dês Cultures".
Em 1950,
afastou-se novamente para participar de um seminário na Universidade de
Colúmbia. Participou, também em 1950, do Primeiro Colloquium de Estudos
Luso-Brasileiros, reunidos em Washington. Nos Estados Unidos,
pesquisou na Biblioteca do Congresso e na Biblioteca Pública de Nova York.
Participou de seminário, juntamente com a Prof.ª Alice P. Canabrava, na
Universidade de Colúmbia, a convite do Professor Frank Tennembaum. Na volta dos
Estados Unidos, passou pela Europa, visitando França, Espanha e Portugal, onde
efetuou pesquisas no Arquivo Ultramarino, na Torre do Tombo e na Biblioteca
Nacional, no setor de "reservados" e na Coleção Pombalina. Estas
pesquisas seriam importantes para desdobrar a sua obra Monções. Em 1954, participou do IX Rencontres
Internationales de Genevè, onde fez uma conferência seguida de debates, sobre o
tema "L'Europe et le Nouveau Monde", publicada no mesmo ano pelas
edições de La Baconnière, em Lausanne,
Suíça.
Matriculou-se, em 4
de agosto de 1956[14],
na Escola Graduada em Ciências Sociais, da ELSP, a fim de
obter um título acadêmico pós-graduado, exigência para prestar o concurso de
cátedra da USP. Para ingressar como aluno regular, Sérgio Buarque de Holanda
realizou váriasprovas e
trabalhos. A prova de"Língua Inglesa" foi uma tradução de um trecho de
"Plural and Differencial Aculturaltive in Trinidad", de Daniel J.
Cronwley, artigo da Revista American
Anthropoloist, de 1957. Essa prova foi aplicada pelo Prof. Octávio da
Costa Eduardo que lhe atribuiu a nota 9,0. Essa prova foi aplicada
pelo Prof. Herbert Baldus, que lhe atribuiu a nota A. A melhor nota recebida na
prova de Língua Alemã se deve, talvez, à familiaridade maior do historiador com
essa língua, já que passou dois anos na Alemanha.
Sérgio Buarque de Holanda, ao que parece, levou com
muita seriedade esse curso de pós-graduação, impressão comprovada pela
qualidade de seus trabalhos e pelas notas recebidas. Os trabalhos[15]
escritos para as disciplinas são ensaios rigorosos, fundamentados, muitas
vezes, em bibliografia em língua estrangeira (alemão, francês, inglês e
espanhol), atas e outras fontes presentes em documentos históricos colhidos nos
mais diversos arquivos no Brasil e no exterior.
Para a
disciplina "História Social do Brasil", ministrada pelo Prof. Octávio
da Costa Eduardo, Sérgio apresentou o trabalho intitulado "São Vicente e
as 'Índias de Castela'". Recebeu nota A+. Em outro trabalho para a
disciplina "História Social do Brasil", Sérgio apresentou o trabalho
"Formação de uma vila sertaneja", e recebeu também a nota
A+.
O Prof. Herbert Baldus foi responsável por cinco
disciplinas, atribuindo-lhe nota "A" em todas. Para a
disciplina "Índios da América do Sul", Sérgio Buarque de Holanda
apresentou o trabalho "Índios do Brasil - os paiaguá". Para a
disciplina "Problemas de Aculturação", apresentou o trabalho "As
canoas de casca". Para a disciplina "Índios do Brasil", entregou
o trabalho intitulado "Os caiapó do Sul". Para a disciplina
"Problemas de Mudança Cultural", entregou o trabalho "Das
piperis às balsas jesuíticas". Por fim, para a disciplina "Pesquisas
no Brasil - leituras sistemáticas", apresentou o trabalho "João
Emanuel Pohl e os viajantes do segundo decênio do século XIX". Para a
disciplina "Pré-história da Europa", ministrada pelo prof.° Fernando
Altenfelder Silva, apresentou o trabalho "Pensamento e arte na
Pré-História". Não foi possível encontrar a nota desta disciplina.
Em 30 de julho de 1958[16],
Sérgio Buarque de Holanda submeteu-se ao exame "comprehensive",
espécie de "qualificação", para obter o grau de Mestre
em
Ciências Sociais, tendo sido aprovado em todas as
disciplinas acima.
No dia 04 de julho de
1958[17],
defendeu a tese intitulada Elementos formadores da sociedade
portuguesa na época dos descobrimentos[18],
e recebeu o grau de Mestre em Ciências Sociais.
Participaram de sua banca examinadora os professores
Herbert Baldus, Fernando Altenfelder Silva, Lolita Almeida e Octavio da Costa
Eduardo.
A experiência docente
na ELSP, que durou quase 10 anos, trabalho que realizou concomitantemente com a
Direção do Museu Paulistae com a coluna de crítica literária do "Diário de
Notícias", foi uma das fases de maior produção científica de Sérgio
Buarque de Holanda. A consagração como o maior historiador brasileiro veio no seu
ingresso na Universidade de São Paulo e com a publicação de Visões do Paraíso, como veremos a seguir.
Conclusão
O projeto
da Universidade do Distrito Federal em muito agradava o jovem historiador. O
espaço dado a Sérgio Buarque de Holanda e o contato com os professores
estrangeiros, em muito, foram determinantes na sua escolha pela profissão de
historiador. Infelizmente, essa universidade e o seu projeto inovador conduzido
por Anísio Teixeira tiveram uma breve existência.
A estada de dois anos
na Universidad di Roma possibilitou ao historiador realizar inúmeras pesquisas
em arquivos e museus, não só na Itália, mas também em outros países europeus. O
material recolhido culminou em alguns trabalhos que só recentemente foram publicados,
como é o caso de O Extremo Oeste e A contribuição italiana para a formação do Brasil.
A recepção de uma obra ou mesmo o respeito e o prestígio no exterior
deram maior status a Sérgio Buarque de
Holanda, ainda mais no Brasil, nação com mentalidade provinciana que necessita
deste tipo de "aprovação" com certificado estrangeiro. Mesmo assim, a
única obra que teve repercussão internacional foi Raízes do Brasil, justamente aquela pela qual
nutria menos apreço.
Por fim, A ELSP
contribui de forma decisiva na formação do historiador. Além da experiência
docente dos quase dez anos que esteve lá no cargo de docente, Sérgio Buarque de
Holanda acabou por se tornar aluno do curso de pós-graduação. Sua brilhante
passagem pela USP, e sua conseqüente consagração, não teria se concretizado não
fosse esses anos de dedicação e trabalho junto à
ELSP.
[1] Esses artigos permanecem, em sua maioria, inéditos.
Alguns podem ser encontrados no
IEB/USP.
[2] Este artigo pode ser encontrado na Revista do Brasil, v. 3, nº. 6, de
1987.
[3]Segundo Caldeira (2002, p.87), é
na universidade que veremos a institucionalização das Ciências Sociais no
Brasil. Antes, o que havia era amadorismo, só depois profissionalismo.No que se refere às Ciências
Sociais, a atuação de professores estrangeiros seguidores da linha funcional-culturalista, contratados para
lecionar Sociologia e Antropologia na Escola Livre de Sociologia e Política e
na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) - primeiros
centros formadores de profissionais dessas disciplinas no país-, sem dúvida
muito influenciou seus discípulos na adoção e emprego dos métodos de
investigação culturalista em seus estudos e pesquisa.
[4]Folha da Manhã,
São Paulo, 16-01-1955.
(Siarq/Unicamp).
[5] Este artigo também foi publicado no jornal
La
Tribune de
Geneve, em 04-05 set.
1954.
[9] Tais artigos podem ser encontrados em Holanda
(1996a).
[10] Segundo Avella (2002, p.19), "[...] o número é
totalmente dedicado ao Brasil e Sérgio Buarque de Holanda, que é seu organizador,
apresenta aos leitores um rico panorama de contos e ensaios mais ou menos
conhecidos na Itália, entre os quais Machado de Assis, José Lins do Rego,
Sérgio Milliet, Barreto Filho, junto a uma 'Antologia Mínima' de poesias 'quase
todas inéditas para os brasileiros', como se lê à p. 67, compreende líricas de
Manuel Bandeira, Ribeiro Couto, Cassiano Ricardo, Cecília Meireles, Carlos
Drummond de Andrade, Abgar Renault, Murilo Mendes, Vinícius de Moraes, Ledo
Ivo".
[11] Esta carta pode ser encontrada no
Siarq/Unicamp.
[12] A ELSP foi reconhecida em 6-9-1946, por meio do
Decreto-Lei 9876, de acordo com o parecer n.° 243, aprovado por unanimidade
pelo Conselho Nacional de Educação na sessão de
27-12-1944.
[13] Conforme Anuário da ELSP, de 1947, p.
150.(CEDOC/FELSP).
[14] Conforme Requerimento de Matrícula.
(CEDOC/FESPSP).
[15] Todos os trabalhos entregues encontram-se no Dossiê SBH.
(CEDOC/FESPSP).
[16] Conforme documento da Divisão de Estudos Pós-Graduados.
(CEDOC/FELSPSP).
[18]Essa dissertação está sendo
analisada por Edgar de Decca, que acredita na hipótese de ela não ter sido
escrita por volta de 1956, e, sim, nos anos 30, período em que esteve na
Alemanha. A cópia, em mimeógrafo a álcool, tem 160
folhas.